segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

CNPq: projeto para alunos negros é um dos vencedores

Depois de participar de um cursinho pré-vestibular no Instituto Cultural Steve Biko que em 1999 recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça Sheila Regina Pereira entrou na Universidade Federal da Bahia para o curso de estatística.
Sheila diz que na universidade percebeu que os jovens negros como ela estavam presentes em cursos de menor prestígio e status social. A partir daí, ela resolveu voltar ao instituto que a ajudou a ingressar no ensino superior para dar sua contribuição e ajudar a mudar essa realidade.
"No instituto eu aprendi que o seu crescimento pessoal só vem quando você ajuda os outros a crescerem também", explica.
Foi então que ela passou a fazer parte do projeto Oguntec, que acompanha 35 estudantes de escolas públicas a partir do momento em que eles entram no ensino médio até o vestibular.
A pesquisa apresentada por Sheila sobre o Oguntec foi à vencedora da categoria Graduado do 23º Prêmio Jovem Cientista, divulgada nesta quarta-feira pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNPq).
Como coordenadora pedagógica do projeto, Sheila conta que, além das disciplinas escolares cobradas no vestibular, os adolescentes de 16 a 21 anos têm aulas sobre consciência negra e educação científica a fim de despertar o interesse pela ciência e pelos cursos ligados à tecnologia, ciências da saúde.
"No ano passado, terminamos o ano com 25 estudantes, porque muitos foram obrigados a deixar o projeto ao longo do tempo. Mas todos os que permaneceram passaram em vestibulares em universidades particulares. O nosso objetivo agora é fazer com que eles entrem nas universidades públicas. Três deles conseguiram", conta.
Segundo ela, a maior dificuldade é suprir o déficit que os alunos trazem do ensino fundamental.

Vencedores do Jovem Cientista recebem prêmios em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira da entrega do 23º Prêmio Jovem Cientista que, este ano, teve como tema Educação para Reduzir as Desigualdades Sociais. Foram distribuídos prêmios em cinco níveis: graduado, estudante do Ensino Superior, estudante do Ensino Médio, mérito institucional e menção honrosa.
Os prêmios variam de R$ 7 mil a R$ 30 mil. Os primeiros colocados ganham ainda bolsa de estudo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). As pesquisas vencedoras serão publicadas em um livro, distribuído para centros de pesquisa, universidades e instituições públicas e privadas.
Na cerimônia realizada no Palácio do Planalto, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, reafirmou que o investimento em pesquisa está entre as prioridades do governo Lula e citou, como exemplo, a implantação de 10 novas universidades e 89 extensões universitárias.
A primeira colocada na categoria graduado foi à estudante Sheila Regina dos Santos Pereira, da Universidade Federal da Bahia. Na categoria estudante de Ensino Superior, o primeiro prêmio ficou com Terezinha Cristina da Costa Rocha, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
Já Júlia Soares Parreiras, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, ficou com o primeiro prêmio na categoria estudante de Ensino Médio.
No próximo ano, o Prêmio Jovem Cientista terá como tema: “Energia e Meio Ambiente, Soluções para o Futuro”.

SP: secretaria implanta projeto de alfabetização

A partir desta semana, um novo projeto de recuperação de aprendizagem da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo será implantado. Com o objetivo de alfabetizar estudantes de 1ª série do Ensino Fundamental, o reforço será aplicado em todo o Estado até o fim do ano letivo.
De acordo com a secretaria, a recuperação terá duração de cerca de 30 dias em todas as escolas estaduais que ainda abrigam estudantes não alfabetizados.
Os alunos, geralmente com sete anos de idade, passarão a ser atendidos pelos professores que já têm experiência com este tipo de ensino.
"Vamos concentrar esforços neste fim de ano para alfabetizar os alunos já na série inicial do Fundamental. É importante que a base da educação seja dada corretamente já aos sete anos", afirmou a secretária de Estado da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.
Segundo dados do último Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), realizado em 2007, o Estado tem apenas 12% dos alunos em 2ª série do Fundamental sem alfabetização, o que representa um dos melhores índices do Brasil.

Programa prevê energia elétrica em escolas até 2010


Uma das metas para 2010 do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) é que todas as escolas públicas do País tenham energia elétrica. O projeto elegeu 40 programas como prioritários para melhorar a qualidade educacional do Brasil.
No início deste ano, havia 21 mil escolas na zona rural sem energia elétrica. Atualmente, esse número reduziu quase a metade, mas 11 mil ainda funcionam sem luz.
A Escola Municipal Canto Escuro, em Barras, Piauí, é uma das unidades de ensino beneficiadas este ano. A energia elétrica vai permitir, por exemplo, a instalação de bebedouros com água gelada. Até então, os 60 alunos que a escola abriga bebiam água retirada de poços ou cacimbas, muitas vezes quente.
Outras 25 escolas públicas da zona rural do município aguardam o benefício. "Ainda vivemos aqui na idade da pedra lascada. Não podemos levar nenhuma novidade para a sala de aula, como um retroprojetor, coisa que ninguém usa mais na época do datashow", comenta a secretária municipal de educação, Maria Lourdes Morais.
Em algumas escolas sem luz elétrica, são utilizadas placas de energia solar, mas a produção, na maioria das vezes, é suficiente apenas para iluminar as salas para as aulas noturnas.
"Precisamos chegar a essa universalização de todas as escolas com energia elétrica para modernizar a rede de ensino. Os alunos precisam ter acesso à Internet de banda larga", afirmou Antônio Carlos Alves Carvalho, representante do Ministério da Educação no Programa Luz para Todos, realizado em parceria com o Ministério de Minas e Energia.