sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ESCOLA POPULAR NOVOS ALAGADOS


Vera Lazzaroto é uma professora que trocou um confortável apartamento no Rio de Janeiro por uma palafita em Alagados, periferia de Salvador/BA. Na bagagem o sonho de implantar a “Escola Popular Novos Alagados“, surgida numa palafita de 60 metros quadrados. Após 30 anos, são três escolas comunitárias, creche, duas bibliotecas, filarmônica, centro profissionalizante, banco comunitário e o Clube Erê, apoiados por verbas governamentais e doações. Quase duas mil pessoas beneficiadas diretamente, mais de 10 mil crianças e adolescentes já passaram por lá, o que fez o índice de analfabetismo despencar de 74% em 1974 para 0,8 % em 2004. Ela é Mestre em Educação pela UFBA, mas também Mestre em Poética, tinha que ser, pela UFRJ. Foi eleita pela UNESCO como representante da América Latina dos professores em situação de risco: “Meu desafio era descobrir nas crianças da favela as mesmas competências das outras crianças. E isso está provado”. Afora todos os links que aqui coloco para quem quiser viajar mais neste sonho, acrescento que ela criou e alfabetizou os dois filhos em Alagados. Certa feita, quando a filha teve que estudar em outra escola, ela perguntou: “Minha filha, quando você chegar lá na outra escola, e os coleguinhas perguntarem por que você mora em uma favela, o que você vai dizer ?”. A filha respondeu: “Porque minha mãe quer que todas as crianças tenham uma escola e uma casa boa”.

Um comentário:

Psicologia disse...

Marcos Leal Lembro-me como hoje, os meus primeiro dias em uma morada digna da época, livre de aluguel, e carnificina de ter que pagar todo mês um dinheiro que mal dava para o sustento próprio. Saímos do bairro do Uruguai, periferia de Salvador, que também tinha uma porcentagem de pessoas que sua moradia também era em palafitas, ( casa sobre estacas em cima de maré ). Um dia ficamos sabendo que haveria uma invasão, no bairro de São Bartolomeu um pedaço de floresta protegido na época, e próximo ali, existia uma manguezais...lugar linda tinha tinha animais como; garça, caranguejo dentre outros. E assim construímos uma enorme casa de madeira sobre água, coisa interessante, e foi o meu primeiro contato com uma cidade de madeira, nossa... mais de 100 pessoas moravam nessas casas, e ali eramos uma verdadeira família. Lembro-me como hoje, que quando tive que andar em chão e depois ter que andar em cima de madeirites e tabuas... parecia ter voltado a era primitiva risos...uma do lado da outra, e assim era construída as pontes....e essas pontes tinha pequenas pontes direcionadas as casas de cada morador. Tinha uma catrais que era um barco feito de madeira com isopor , e uma cadela que se chamava sukita, companheira de todas as horas, ali o tempo passava e tudo era brincadeira....corre corre, esconde-esconde.... E os amigos: Gilmar, Robson, Linho, Cosminho, Denis, Val, Bonfim, Jucy, Nanega, Ieiei, Mônica, Tuin e muitos outros, mães: Dona Zinha, não posso esquecer essa pessoa maravilhosa foi a incentivadora de tudo que hoje acontece em minha vida, e que só tenho a agradecer, Gil, Miguel. Hoje sou quem sou, porque fiz e faço parte desse todo, que foi os novos alagados....saudade de um tempo que ser criança era o fatos mais importante que tudo, uma simples criança queria acima de tudo, poder sair encontrar seus amigos bater um bapo.....e não ter horas para chegar em casa, as brincadeiras; garrafão, fura pé, gude, pião,....as prosas em noite de lua cheia...sentado na ponte altas horas....pescar pititingas com lata de leite.....fazer badogues....construía jangadas e catraias.....pesca com as mãos caranguejos...e siris....nossa as vezes, voltar no tempo nada mais é que ligar uma máquina dentro de você e te tele transporta...para além da vida....Dedico a todos essa lembrança e dizer que sou muito grato por fazer parte de minha vida hoje e sempre..